quarta-feira, 6 de abril de 2011

Psicanálise e Maternidade.. Final!





É inegável a importância da mãe para a formação e constituição da estrutura psíquica do sujeito. Portanto, é essencial que esta mãe esteja preparada para assumir e dar a este bebê os cuidados necessários em cada etapa de seu desenvolvimento.
Contudo, pode-se entender que o nascimento biológico de um bebê, não é a garantia de uma constituição psíquica, se fazendo necessário o nascimento psicológico que venha a permitir o advir desse novo sujeito. Esse nascimento psicológico se faz, primordialmente, pela relação primária com a mãe, onde o bebê passa a se reconhecer como tal a partir do olhar e dos cuidados essenciais desta, com a qual, forma uma unidade absoluta.


Para a psicanálise, o ser humano nasce em desamparo e se constitui no contato com o outro. A "função materna" corresponde não só aos cuidados com a vida orgânica do bebê, a satisfação de suas necessidades fisiológicas, bem como o fundamental envolvimento fusional afetivo da díade mãe-bebê, que permite a introdução do bebê no mundo simbólico cultural, através da linguagem. (TELLES, 2002, p.2).




Os primeiros anos de vida de um sujeito são para a psicanálise um ponto crucial no desenvolvimento psíquico que se segue. A teoria psicanalítica atribui as fases inicias da vida do indivíduo a estruturação da dinâmica psíquica, o que o torna único. Isso ocorre devido às experimentações únicas vividas e sentidas por este indivíduo, assimiladas por ele e refletidas através de uma estrutura psíquica à qual este pertencerá.

Autora do artigo: Beatriz Guedes de Castro

terça-feira, 5 de abril de 2011

Psicanálise e Maternidade.. Parte II





Winnicott (apud Nasio,1995) enfatizou a figura da mãe como a principal fonte formadora da estruturação psíquica do sujeito nos primeiros tempos de vida. Acreditava na influência do ambiente no desenvolvimento psíquico do individuo. Para ele, o ambiente inicialmente representado pela mãe, ou sua figura substituta, permite ao sujeito um desenrolar do processo de maturação, que significa a formação e evolução do ego e do superego, assim como o estabelecimento dos mecanismos de defesa.
O autor descreveu duas fases iniciais da vida do sujeito, onde a mãe ou sua figura substituta possuem fundamental importância. A primeira fase vai de zero a seis meses de idade, onde a criança encontra-se em uma fase de dependência absoluta em relação ao meio, que neste momento é representado pela figura materna. Neste momento inicial para a criança, ela e o meio (mãe) não se diferem, são uma unidade, uma coisa só. Nesta fase de dependência absoluta, o bebê necessita de uma mãe que dê o suporte necessário para o nascimento e desenvolvimento das principais funções do eu. Quando o bebê não possui esta mãe, ou é privado dela, a maturação do desenvolvimento de seu eu, se apresenta de forma bloqueada ou distorcida. Após este período inicial, entra então a segunda fase, que vai dos seis meses de
vida até os dois anos de idade, onde a criança encontra-se em um período de dependência relativa e já é capaz de se dar conta da necessidade que tem dos cuidados de sua mãe.
O autor acima referenciado definiu como mãe suficientemente boa, aquela mãe que consegue estabelecer com seu bebê nos primeiros tempos de vida, uma identificação com ele, adaptando-se a suprir as necessidades de seu filho.
Nesse aspecto de suficientemente bom, inclui-se não só a mãe, mas a situação satisfatória ou não para a criança.


Essa mãe representa um ambiente bom, cuja importância é vital para a saúde psíquica do ser humano em devir. A mãe suficientemente boa permite a criança pequena desenvolver uma vida psíquica e física fundamentada em suas tendências inatas. (NASIO, 1995 p. 186.)




Por outro lado, existe aquela que foi denominada: mãe insuficientemente boa. Esta, não consegue se identificar, ou suprir as necessidades do seu bebê. A mãe imprevisível, aquela que oscila de uma adaptação boa, onde supre as necessidades do filho, para um ato de total negligencia, fazendo assim com que esta criança não confie nela, nem consiga prever sua conduta. Além disso, também descreve que esta mãe insuficientemente boa, se define em diversas outras situações. Quando por exemplo, o bebê recebe os cuidados a ele designados, por diversas pessoas, o que faz com que esta criança perceba a sua mãe como dividida em pedaços, tornando complexo aquilo que deveria ser de simples assimilação.
Pode-se concluir que, segundo o autor, dependendo do tipo de adaptação da mãe com essa nova realidade de ter um filho dependente de seus cuidados, refletirá em suas atitudes para com o mesmo, suprindo de forma satisfatória ou não as necessidades fundamentais pra um desenvolvimento psíquico saudável. Sendo esta mãe, incapaz de cumprir seu papel, sendo esta incapaz de satisfazer, o desenvolvimento psíquico de seu filho será prejudicado, o que acarretará em uma serie de distúrbios psíquicos que se originam nesta fase inicial da vida. Contudo, tendo em vista este entendimento, é a mãe ou sua figura substituta, a responsável pela formação da estrutura do funcionamento psíquico deste sujeito.


A mãe suficientemente boa não é uma mãe sem falhas. É a mãe que sustenta o processo de ilusão, mas também de desilusão. É a que prevê experiências de presença, mas também de ausência. A mãe no começo da relação, através de uma adaptação quase completa, propicia ao bebê a oportunidade de ilusão de que esta, por assim dizer, sob o controle mágico do bebê. A onipotência é quase um fato de experiência. A tarefa final da mãe consiste em desiludir gradativamente o bebê, mas sem esperança de sucesso, a menos que, a princípio, tenha podido propiciar oportunidades suficientes de ilusão. (WINNICOTT apud CUNHA, 2003, p. 18)




A forma com que esta irá lidar com seu filho, independente de seu estado emocional, irá conferir a este bebê um significado que este irá introduzir em si, como satisfatórios ou não, gerando um funcionamento sadio ou patológico.
Observemos também Dolto(apud Ledoux, 1991, p.59), onde afirma que a criança só consegue fundamentar sua existência por e numa relação com um outro. Este outro, é detentor da identidade do sujeito, e é através da mãe nutriz que a criança se conhece num campo de odor e de espaço mediatizado conhecido e reconhecido, e é ela que irá filtrar a experiência do mundo. As primeiras estruturas de trocas e de palavras que darão à criança sua identidade. A autora referenciada, ainda afirma que, para que a criança se estruture de maneira sadia, é indispensável existir a presença de uma mesma pessoa nutriz, pois durante a oralidade invasiva, o lactante precisa ter certeza de que não comeu nem excretou essa pessoa maternalmente. A relação contínua com uma mesma pessoa tutelar é vital para a criança, pois cria nela uma memória de um ela-mesma-o-outro, que é a primeira segurança narcísica da criança.


Dolto refere-se ao papel fundamental da mãe como responsável por fazer operar as "castrações simbolígenas", que vão, passo a passo, estabelecendo os marcos e fazendo surgir novas estruturações no psiquismo infantil. (DOLTO apud ARAGÃO, 2004, p.4).




Spitz (1991, p.91), acrescenta outros fatores sobre esta relação inicial e de suma importância no desenvolvimento humano. Segundo o autor, todas as atitudes da mãe, provocam no bebê uma resposta, mesmo que estas ações não estejam relacionadas a ele. Apenas e tão somente a presença da mãe, age como um estímulo para as respostas deste bebê. Igualmente, a presença do bebê, a sua existência, provoca reações na mãe. Durante o primeiro ano de vida, as experiências e ações intencionais investidas pela mãe são decisivas, influenciando no desenvolvimento de vários setores da personalidade desta criança.


Signos afetivos gerados por disposições de ânimo da mãe parecem tornar-se uma fonte de comunicação com o bebê. Esses intercâmbios entre mãe e filho continuam sem interrupção, mesmo que a mãe não esteja necessariamente consciente deles. Esta forma de comunicação entre mãe e filho exerce uma pressão constante, que modela a psique infantil. (SPITZ, 1991, p.103.)


Segundo Bowlby (1990), durante muito tempo os psicanalistas foram unânimes em reconhecer a primeira relação humana de uma criança como a pedra fundamental sobre a qual se edifica a sua dinâmica psíquica. O autor descreve que, embora muitos acreditem que nos primeiros doze meses de vida, quase todos os bebês desenvolvam um forte vínculo com a figura materna, não há consenso a respeito de quatro pontos: com que rapidez esse vínculo se estabelece, por que processos se mantêm, por quanto tempo persiste e que função desempenha.
Ainda segundo o referenciado autor, até 1958, podiam ser encontradas quatro principais teorias dentro da literatura psicológica e psicanalítica sobre a natureza e a origem do vínculo infantil. Eram estas: a primeira delas, onde a criança possui certas necessidades biológicas que devem ser satisfeitas, principalmente a alimentação e o conforto. Quando o bebê começa a se interessar pela figura humana, em especial a mãe, ele percebe que esta satisfaz suas necessidades fisiológicas, ela é fonte de sua satisfação. O bebê aprende isso. O autor define este aprendizado como teoria do Impulso Secundário, um termo derivado da teoria da Aprendizagem, também chamada de teoria do amor interesseiro das relações objetais. Na segunda teoria, denominada teoria da Sucção do Objeto Primário, o autor descreve que há no bebê uma propensão inata para relacionar-se com o seio humano, para sugá-lo e possuí-lo oralmente. Com o tempo, o bebê passa a perceber que, ligado ao seio está uma figura humana, a mãe. O bebê passa então a se relacionar com ela. Na terceira teoria, denominada teoria da Adesão ao Objeto Primário, Bowlby descreve que existe nos bebês uma propensão inata para o contato físico com outras figuras humanas. Existe a necessidade de um objeto independente do alimento e que é tão primária quanto a necessidade de alimento e conforto. Na quarta e última teoria proposta pelo autor, chamada teoria do Anseio Primário de Retorno ao ventre, os bebês ressentem-se de sua exclusão do ventre e buscam voltar a ele.
Destas quatro teorias acima descritas pelo referenciado autor, a mais ampla e vigorosamente sustentada foi a do Impulso Secundário, onde desde Freud permanece como base na maioria dos escritos psicanalíticos.
Ainda, Bowlby (1990), desenvolve a partir de 1958 sua teoria do Apego, onde não há referências a necessidades ou impulsos, pelo contrário o comportamento de apego é visto como aquilo que ocorre quando são ativados certos sistemas comportamentais. Aqui, os próprios sistemas comportamentais se desenvolvem no bebê, como resultado de sua interação com o meio ambiente de adaptabilidade evolutiva, em especial, em sua interação com a principal figura nesse meio ambiente, a mãe. Considera ainda, que a alimentação e o próprio alimento, são apenas secundários no desenvolvimento desses sistemas.


Nenhuma forma de comportamento é acompanhada por sentimentos mais fortes do que o comportamento de apego. As figuras para as quais ele é dirigido são amadas, e a chegada delas é saudade com alegria. Enquanto uma criança está na presença incontestada de uma figura principal de apego, ou a tem ao seu alcance, sente-se segura e tranqüila. Uma ameaça de perda gera ansiedade, e uma perda real, tristeza profunda; ambas as situações podem, além disso, despertar cólera. (BOWLBY, 1990, p.224).

............ continuação amanhã!!!!!!!

domingo, 3 de abril de 2011

A PSICANÁLISE E A MATERNIDADE




´Meu artigo sobre Psicanálise e Maternidade!!!!!!!!


Dadoorian (2003, p.3), analisa a questão do feminino na teoria psicanalítica como intimamente relacionada com a maternidade. A autora descreve que segundo Freud (1905), é na adolescência que se dá a finalização do processo de construção da nossa sexualidade, através da capacidade do jovem de procriar, processo este que se inicia na mais remota infância. Na menina, será através de seu desejo de ser mãe que ela se tornará mulher. Assim, para Freud, o caminho que leva à feminilidade se dá por meio da maternidade. A maternidade se coloca, assim, como um atributo que caracteriza o feminino. Através do filho, um ser que é uma extensão do seu próprio corpo, a mulher se sente plena, nada lhe falta. O filho funciona como um objeto que completa as suas carências e os seus desejos mais íntimos. O desejo de ter um filho, isto é o desejo de ter o falo, é algo bastante forte no inconsciente feminino (Freud, 1931).
Sabe-se que a psicanálise atribui aos primeiros anos de vida a estruturação focal da dinâmica psíquica, onde o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo e a função sexual está intimamente ligada à sobrevivência. Portanto, carregará este ser, para toda a sua existência as marcas destes primeiros tempos de vida, propiciados primordialmente pela figura materna, e incorporados através de inscrições em seu psiquismo, e mais tarde, com a inclusão da figura paterna, formando assim um triângulo, necessário ao surgimento do sujeito. Estas experiências e a forma com que serão assimiladas formarão a estruturação psíquica deste indivíduo, baseada na satisfação ou não das necessidades básicas de sobrevivência e afeto designados ao bebê.


Lacan aponta para o papel da mãe, como encarnação do Outro, como aquela que veicula num primeiro tempo, junto ao bebê, a lei simbólica da cultura, e que lhe fornece o primeiro espelho, através do qual ele ao mesmo tempo se aliena e se constitui. Laplanche enfatiza o papel iniciático da mãe, responsável pela "sedução generalizada" necessária, desenvolvimento do pensamento freudiano, explicitado nos "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade", onde Freud afirma que é função da mãe "despertar o instinto sexual da criança e ensina-la a amar". A mãe, então é aquela que introduz o bebê no campo pulsional, instilando Eros em sua constituição. Essa idéia parece pressupor um bebê passivo do ponto de vista da formação do aparelho psíquico, que vai se constituir como que inoculado pelo outro. (ARAGÃO, 2004, p.4).


O fato é que, dependendo do tipo de satisfação, seja ela boa ou ruim, investidas pela mãe, irá mais tarde estruturar a dinâmica psíquica deste indivíduo, na forma como este irá lidar com o mundo ao seu redor e com seus próprios conflitos.


É a atitude emocional da mãe que irá conferir a qualidade de vida à experiência do bebê, e é através da ligação afetiva que o bebê confere à mãe a sua identidade, despertada a partir do desejo de maternidade e da gravidez, dos intercâmbios com o feto e posteriormente com o próprio recém-nascido. (LEBOVICI; WEIL-HALPERN apud MORIZOT, 1999, p.1).


continuação terça feira!!!!!!!

A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA





Artigo da Psicóloga Priscila Carvalho de Mello Psicóloga com formação em: Psicologia do Trânsito, Hipnose, EMDR; especialista em Terapia Familiar Sistêmica Breve e pósgraduada em Psicopedagogia. Cursos também na área Hospitalar (inclusive em Cirurgia Bariátrica e Oncologia), PNE e testes psicológicos. Experiência em área clínica, hospitalar, social, trânsito e testagem psicológica.


A Unidade de Terapia Intensiva é uma unidade destinada a receber pacientes clínicos, pós -cirúrgicos, terminais e em estado grave com possibilidade de recuperação, que adv ém de outros setores do hospital para um tratamento diferenciado,
exclusivo e intensivo. É um setor que possui equipamentos específicos, recursos materiais e tecnológicos, assim como também uma equipe permanente de profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem; além de
psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e assistente social). As ações ali desempenhadas são diuturnas, rápidas e precisas e, por isso exigem o máximo de eficiência da equipe.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DO ADOECER

O estar doente e o processo de hospitalização são variáveis que influenciam o ser humano e o deixa emocionalmente vulnerável. Isto porque, ao adoecer, o ser humano deixa de ocupar sua posição frente à sociedade, sendo impedido, muitas
vezes, de realizar suas funções como, por exemplo, ser membro de um grupo de trabalho, social e familiar.
Ao ser hospitalizado, o paciente perde muitas referências do meio externo e passa a participar de um grupo onde passa a ser controlado, tendo o espaço físico limitado, roupas e objetos impessoais, imposição de horários e ausência da família.
E, ao ser admitido na UTI, o paciente já entra com uma idéia de irrecuperabilidade e possibilidade de morte iminente.
Assim como também enfrenta um ambiente físico desconhecido, muitos equipamentos, sons e ruídos. E, estas circunstâncias podem ocasionar a chamada “Síndrome da UTI”, caracterizada como um estado confusional, reversível e secundário à internação.
Entretanto, alguns fatores responsáveis por esta síndrome podem estar ligados à dificuldade de descanso, privação de sono,ausência de atividades, efeitos colaterais de alguns medicamentos, falta de estímulos, idade e comprometimento do quadro
clínico.
Contudo, as reações psicológicas apresentadas pelos pacientes são diversas e podem variar. Um exemplo é a ansiedade, que geralmente está relacionada às limitações das atividades físicas e sociais, afastamento de pessoas significativas, medo e
insegurança diante dos procedimentos de intervenção e rotina hospitalar. Outro é o estresse emocional que, somado às características ambientais , aos procedimentos e ao tratamento, são as principais causas dos distúrbios de comportamento e
humor mais freqüentes em UTI.
Contudo, o paciente necessita adaptar-se ao novo momento e, a psicologia poderá auxiliá-lo neste processo.

CONTINUAÇÃO AMANHÃ!!!!!

sábado, 2 de abril de 2011

a Síndrome do Pânico e Gestalt Terapia





Última parte do artigo de especialização em Psicoterapia em Gestalt terapia do Psicólogo Luciano da Rocha Fogaça.

Configuração do ajustamento neurótico do caso X

A queixa inicial partiu da simulação de um caso real através de um caso clínico hipotético, relativo à prática psicológica clínica/hospitalar.
A paciente do caso hipotético foi encaminhada pelo médico plantonista, pois estaria apresentando um quadro de depressão pós-parto, uma vez que já fazia 40 dias que tivera seu filho e durante esse tempo apresentava diversas crises, demonstrando ansiedade, medo, chegando em determinado momento a querer arremessar o filho no chão (segundo o olhar do médico a mãe queria matar o filho).
Portanto, para o médico plantonista, a referida paciente apresentava sintomas compatíveis com diagnóstico de depressão pós-parto, diagnóstico este que foi aceito pela paciente, tanto é que no primeiro atendimento se referiu a “doença”, caracterizando assim como queixa inicial depressão pós-parto.
Porém, no segundo atendimento, desta vez fora da realidade hospitalar e sim iniciando um trabalho num ambiente terapêutico livres de diagnósticos “padrões”, passou a falar de sua história, referindo-se a muitas situações de medo, relatando as seguintes dificuldades: sempre foi uma pessoa insegura, tinha medo de realizar diversos tipos de atividades ou de fazer escolhas sem que a mãe participasse, sofria de intensa apreensão, temor, convivia com sintomas tais como falta de ar, palpitações, dor ou desconfortos toráxicos, sensação de sufocamento e medo de enlouquecer ou de perder o controle, o que, segundo um olhar comportamental ou da medicina tradicional apresentaria sintomas compatíveis com transtorno de pânico.
Desta forma, a paciente trazia para sessão como queixa inicial tanto a dificuldade de cuidar de seu filho quanto os sintomas supracitados, buscando como demanda inicial o entendimento de que doença apresentava? “depressão pós-parto” ou “transtorno de pânico” e também um pedido de “ajuda” (repetição da sua forma junto a mãe) para se livrar desses sintomas.
Em função do pedido de ajuda indiretamente feito a mim, não poderia ser diferente meu sentimento, senão de estar sendo colocado como cuidador, apresentando assim um ajustamento retroflexivo, repetindo assim na sessão a forma apresentada na relação com a mãe.
Frente ao que se apresentava, deu-se a necessidade de efetuar um desvio, olhando para esse caso como um ajustamento criativo, frente às vivencias passadas, fundos foram sendo construídos, possibilitando que a paciente se ajustasse criativamente da forma que se apresentara.
Para o autor Jean-marie Robine (ROBINE, 2006, pag. 52), o ajustamento criativo é como “um processo que leva as necessidades do organismo e os estímulos do ambiente a interagir. A necessidade do organismo busca um objeto, busca uma resposta do ambiente”.
Delineando assim meu trabalho (contrato, objeto do contato), iniciei pontuando que passaria a ser tratada como cliente (e não mais paciente, já que não estava mais atendendo no ambiente hospitalar, e sim na clínica, passando a denominar de cliente, já que não a trataria como uma pessoa doente, e sim olharia para aqueles sintomas como uma forma de se ajustar ao meio, ao campo em que está inserida), suas formas, repetições e ajustamentos criativos que foram necessários em um determinado momento, porém que no aqui-agora poderiam esta interditando ou boicotando seu crescimento e amadurecimento natural.
Durante os atendimentos, diversos ajustamentos se apresentaram, como no início que deixou nas entrelinhas um pedido de ajuda (ajustamento retroflexivo) ou quando em determinado momento perguntou o que deveria fazer (confluência), ou ainda quando se apresentara como coitadinha (introjeção) e também quando disse que não precisava mais vir as sessões, pois sabia tudo o que fazer (egotismo).
Porém, na sessão seguinte retornou apresentando muitas dificuldades, medos e frustrações (retroflexão), e assim por algumas sessões foram se desenrolando os atendimentos, mas em caminho de assimilação e crescimento, experimentando situações novas, como diversos experimentos vividos no set terapêutico como também no campo organismo/ambiente.
Quanto ao experimento, segundo Robine (ROBINE, 2006, pag. 56), trata-se:

“a criação é ligada a novidade: é a descoberta de uma nova solução, a criação de uma nova configuração, de uma nova integração a partir dos dados presentes. Ajustamentos e criação aparecem como dois pólos complementares de um processo, cada um deles é necessário ao outro para que se mantenha um equilíbrio saudável e dinâmico”.


Já para MÜLLER GRANZOTTO (MULLER-GRANZOTTO, 2007, pag. 348/349), experimento é:

“O clínico desafiando a função de ego do consulente a “ escolher”, a “ deliberar”, enfim a “ criar” campos de presença ou é a opção pelo risco, pela criação do inédito”.


Acredito eu, que o experimento leva a consulente ao crescimento e inovação, razão pela qual por diversas vezes a instiguei como forma de experimento a se aventurar ao novo, simulando no set terapêutico ou reabilitando a função de ego através dos experimentos, levando a criação como nos exemplos seguintes:
No consultório, nas sessões que tivemos, estimulei-a a sentir como seria cuidar de seu bebê sem a mãe ou sem pedir ajuda a seu esposo. Estimulei também a assumir a responsabilidade dos seus desejos e sonhos, independentemente do que sua mãe achasse melhor.
Depois de ter vivenciado todas essas situações no consultório, tentar implantar na sua realidade ciente de que a angústia gerada nesse momento não é sinônimo de fracasso, e sim reagente do enfrentamento do novo, que com assimilação das novas vivências se dissipara com as experiências vividas, assim ela o fez, rumando ao novo e ao crescimento, se permitindo se individualizar e perceber que poderia viver independentemente da proteção da sua mãe.

3.2 Os fantasmas trabalhados

Os fantasmas trabalhados com a paciente, nas sessões realizadas, foram os seguintes:

 Será que consigo cuidar do meu filho
 Tenho medo de sair de casa
 Tenho medo de perder meu marido
 Tenho medo deixar minha mãe triste quando saio de casa
 Tenho medo de sair de casa sem minha mãe e não saber cuidar da minha filha
 Medo da apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso - TCC
 Medo de ir atrás de um emprego
 Medo de conversas sobre as coisas que acha que ele faz errado
 Medo de morrer
 Medo de matar minha filha
 Medo de deixar minha filha cair, passar fome ou afogar ela na amamentação


4- A importância das relações do aqui e agora


Muller Granzotto, no artigo GESTALTÊS^MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2007. Verbete "Aqui-Agora", menciona que na obra ego, fome e agressão Frederick Perls não fala sobre aqui-agora, porém critica as práticas psicanalíticas que fazem do passado causa dos problemas presentes. Portanto, naquela época, Perls já pensava de uma maneira em que o passado só era relevante quando este se manifestava ou se fazia sentir presente.
Ainda, segundo Muller Granzotto, é só na obra Gestalt Terapia (PHG,1997, p. 51) que a expressão ‘aqui-agora’ ganha seu formato definitivo. Os autores acrescentam à forma como Perls concebia, que a integração das dimensões temporais no presente é uma leitura fenomenológica, explicitamente fundamentada no modo como o filósofo Edmund Husserl propunha a noção de “campo de presença”, de que a noção de “aqui e agora” é uma versão.
Segundo Muller Granzotto:


“O termo ‘aqui e agora’ é aplicado na Gestalt-terapia tanto para exprimir o caráter temporal do sistema self e das vivências de contato nele estabelecidas, quanto para designar um “estilo” de intervenção clínica adotado pelos gestalt-terapeutas e cujo propósito é promover a “concentração” do consulente no modo “como” este, na atualidade da sessão, opera com isso que, para ele, é passado ou futuro. Os dois empregos estão intimamente relacionados, a ponto de podermos dizer que constituem a mesma noção” (GESTALTÊS^MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2007. Verbete "Aqui-Agora)



A Gestalt-terapia enfatiza o aqui e agora, importando-se com eventos do passado apenas quando estes ainda são presentes, quando continuam interferindo nas emoções, percepções e ações do indivíduo, perturbando a formação de novas figuras ou interrompendo o processo de contatar.
Portanto, para os gestaltistas, mais importante do que compreender a teoria das causas da neurose, é a conscientização do indivíduo do que ele está vivendo, experienciando no presente; de que forma ele está percebendo os fatos. Um dos reflexos disso é o fato do indivíduo responsabilizar-se mais pelos seus estados emocionais, comportamentos e/ou suas dificuldades adaptativas no presente, podendo atuar de forma diferente e mais eficiente no sentido de se ajustar ao campo/organismo meio.
Assim, para Gestalt, mais importante do que os porquês (localizados no passado) é a forma como um evento passado se manifesta no presente, como ele é sentido e vivenciado pelo indivíduo no aqui e agora.
Muller Granzotto, Perls, Hefferline e Goodman utilizam a expressão ‘aqui e agora’ para elucidar essa unidade de passagem que é o “campo de presença”. Ainda segundo os autores, com aquela expressão, PHG não quer se referir a um determinado instante ou lugar, mas ao fato de que, em cada instante e lugar somos trespassados por uma história que nos lança ao futuro e, consequentemente, àquilo que vem nos surpreender. Cada ‘aqui e agora’ é mais do que uma posição determinada. Trata-se de um campo temporal ou, o que é a mesma coisa: campo de presença do já vivido como horizonte de futuro para a materialidade da relação organismo/meio. No interior de cada ‘aqui e agora’, operamos o “contato”, que é justamente essa reedição criativa (ou ajustamento criativo) do passado frente às possibilidades abertas pela atualidade do dado. (GESTALTÊS^MÜLLER-GRANZOTTO & MÜLLER-GRANZOTTO, 2007. Verbete "Aqui-Agora").

6- CONSIDERAÇÕES FINAIS


Nas considerações finais não poderia deixar de me referir ao título do presente artigo “A cara sombria da inibição reprimida: O PÂNICO”, e inicialmente o porque “Pânico, porque socialmente esse termo “Pânico” se institucionalizou, se difundiu mundo fora se tornando uma “doença” da moda, juntando-se como tantas outras e até ganhando status de transtorno, tendo até sido incluído no Manual de diagnósticos e estatísticas de transtornos mentais”( DSM-IV-TR) e também na classificação internacional de doenças (CID 10), fazendo parte dessa padronização, que alguns segmentos da saúde e da sociedade tentam incluir as pessoas, abrindo mão assim da riqueza que é lidar com as diferenças que existem entre todas as pessoas, portanto quis contrapor essa idéia, oferecendo um outro olhar, um olhar gestáltico a essa dinâmica.
E a cara sombria da inibição reprimida? Sombria sim, porque apesar de percebemos o ajustamento criativo ou a neurose e seus ajustamentos como uma resposta do organismo ao dado apresentado pelo campo organismo/ambiente, é sobretudo, também, limitador, frustra o crescimento, a ida ao desconhecido, ao novo.
Portanto, neste artigo tentei mostrar um olhar gestáltico frentes às “patologias” sugeridas por outras correntes, no caso específico, a “patologia pânico”.
O transtorno de pânico era analisado por diferentes abordagens psicológicas, havendo explicações diversas para as suas causas e propostas diferentes de intervenções psicoterápicas, porém senti a necessidade de produzir também um material com olhar gestáltico frente a essas ditas “doenças” e que para nós gestaltistas, que tratamos como neurose, como situações inacabadas, produzidas por interrupções do contato, ou uma forma, ajustamento criativo necessário do indivíduo ao campo organismo/ambiente e frente ao novo, ao inesperado, que se dá na fronteira de contato ou na interrupção que se dá quando um dado se apresenta na fronteira, porém sombrio, pois limita e interdita o indivíduo, como verificamos no caso citado nesse artigo.
E é de suma relevância a teoria gestáltica da inibição reprimida para o entendimento clínico a respeito da crise de pânico e possíveis intervenções, pois o indivíduo é visto de maneira dinâmica, os ajustamentos não são tratados como doença e sim ajustamentos, formas. O indivíduo não é visto como se ele fosse formatado, padronizado e não estivesse em um campo que se altera a todo o momento.
A gestalt percebe o indivíduo como um ser que passa por alterações, como um ser em continuo processo de enfrentar o novo, sem precedentes e que para seu crescimento necessita de um movimento em direção a esse inesperado, que nada mais é do que o processo de contatar, caracterizada pela gestalt, como sistema self – ou, o que é a mesma coisa, os processos que constituem essa reedição temporal e inovadora que é essas trocas energias entre a materialidade física e campo/organismo ambiente.
Com relação ao caso citado, a jovem, que se ajustava criativamente se inibindo, como nos exemplos citados: que para se formar na faculdade, significa fazer sem sua mãe, por isso abandonou a faculdade; cuidar da filha significa se dar conta que já é mãe, que precisa exercer o papel que antes era de sua mãe, de protegida, passa a ter que proteger, o que, por não saber como cuidar, tem nuances de querer jogar o filho no chão ou de deixar ele cair.
Assim, inibe seus desejos, para que possa corresponder a um pedido de sua mãe, passando a evitar momentos e lugares que possam estimular a separação ou crescimento, fechando-se num processo rígido de controle, evitando situações novas, arriscadas, evitando amigos e lugares que possam confrontar com o novo.
Portanto, para gestalt terapia o “pânico” ou a interrupção dos ajustamentos criativos seria uma interrupção no processo de contato (ajustamento neurótico), mas especificamente, essa interrupção se relaciona com o surgimento de uma figura ou dado (estímulo), que represente “perigo” ou “ameaça.
Referindo-se às intervenções, estas se deram através de pontuações das formas, dos ajustamentos apresentados, pontuando o que a cliente estava abrindo mão em função da evitação do novo, a partir do momento que a paciente passa a se responsabilizar pelos seus atos, pelas suas escolhas, sem que esteja atrelado com sua mãe. Vivenciou a possibilidade de enfrentamento do novo através dos experimentos no set terapêutico e dos experimentos no seu campo/organismo ambiente, passando a constituir um desejo de se ampliar, de enfrentar o novo, de maneira consciente de suas possibilidades, de suas limitações.
A partir desse processo de se responsabilizar pelos seus atos e de perceber suas interdições a cliente sente a necessidade de tentar sozinha, de praticar por contra própria, sem a necessidade de modelos, fechando, assim, o contrato terapêutico, já que na gestalt terapia a alta é uma decisão do paciente, podemos entender essa vontade de caminhar por conta própria como o processo de “alta”.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pânico...










O PÂNICO COMO PATOLOGIA DO COMPORTAMENTO E COMO AJUSTAMENTO CRIADOR

Esse capítulo mostra, sobretudo, a essência desse trabalho, ou melhor, tenta mostrar o olhar gestáltico frentes as “patologias” sugeridas por outras correntes, no caso desse capítulo específico, a “patologia pânico e a corrente comportamental entre outras que aceitam o diagnóstico de doença.
A síndrome do pânico é analisada por diferentes abordagens psicológicas, havendo explicações diversas para as causas desse “transtorno” e propostas diferentes de intervenções psicoterápicas. O que, por exemplo, para as correntes comportamentais é uma anomalia comportamental, doença ou patologia, nós gestaltistas tratamos como neurose, como situações inacabadas produzidas por interrupções do contato, ou uma forma, um ajustamento necessário do indivíduo ao campo organismo/ambiente frente ao novo, ao inesperado, que se dá na fronteira de contato ou na interrupção que se dá quando um dado se apresenta na fronteira.
Tratar os ajustamentos como doença seria a mesma coisa que tratar o indivíduo igual a outras pessoas, como se ele fosse formatado, padronizado e não estivesse em um campo que se altera a todo o momento. E, essa alteração passa a ser um processo novo, sem precedentes e que necessita de um movimento em direção a um crescimento, que pode significar também separar, dividir, mas que se acrescenta num todo do indivíduo.
O livro “Manual de diagnósticos e estatísticas de transtornos mentais” (DSM-IV-TR), tido como referencial para muitas correntes, cita os transtornos mentais:

“Como síndromes ou padrões comportamentais ou psicológicos clinicamente importantes, que ocorrem num indivíduo e estão associados com sofrimento ou incapacitação ou com um risco significativamente aumentado de sofrimento, morte, dor, deficiência ou perda importante da liberdade”.(DSM-IV-TR, pag. 27) .

Já em relação ao transtorno de pânico, o DSM-IV-TR cita como:

“Ataque de pânico é representado por um período distinto no qual há início súbito de intensa apreensão, temor, frequentemente associados com sentimento de catástrofe iminente. Durante esses ataques, estão presentes sintomas tais como falta de ar, palpitações, dor ou desconfortos toráxicos, sensação de sufocamento e medo de enlouquecer ou de perder o controle”. (DSM-IV-TR, pag. 419)

Como foi citado anteriormente, a partir do momento que se olha um indivíduo ou que se dá ao indivíduo um diagnóstico, passamos a desconsiderar sua biografia, suas individualidades, seu contato no campo organismo/meio, pois esperamos desse, comportamentos classificados, anteriormente a sua concepção, desconsiderando sua capacidade, suas possibilidades de interação ao meio, frente ao novo e inesperado.
PHG refere os indivíduos da seguinte forma:

“não há uma única função, de animal algum, que se complete sem objetos e ambiente, que se pense em funções vegetativas como alimentação ou sexualidade, quer em funções perceptivas, motoras, sentimento ou raciocínio. O significado da raiva compreende um obstáculo frustrante; o significado do raciocínio compreende problemas de prática. Denominemos esse interagir entre organismo e ambiente função “campo organismo/ ambiente”, e lembremo-nos de que qualquer que seja a maneira pela qual teorizamos sobre impulso, instintos etc., estamos nos referindo sempre a esse campo interacional e não a um animal isolado” (PHG,1997, pag.42).


Compactuo nesse sentido com o autor supracitado, de que não podemos desconsiderar o campo organismo/ambiente, dessa forma não podemos estudar ou não podem os estudos desconsiderar o ambiente social em um favorecimento do físico, qualquer referência a um indivíduo ou “patologia” de um indivíduo devem considerar seu campo e os fatores que interagem consigo: socioculturais, animais e físicos.
Tendo este capítulo sua concepção fundada com objetivo de mostrar o pânico como um ajustamento criativo, processo natural de qualquer indivíduo frente à função contato/novidade, que pode rejeitar, superar ou assimilar o novo, como se refere PHG:

“Ao imaginar um animal que perambula livremente num ambiente vasto e variado, percebemos que o número e a extensão das funções-contato têm de ser imensos, porque fundamentalmente um organismo vive em seu ambiente por meio de manutenção de sua diferença e, o que é mais importante, por meio da assimilação do ambiente à sua diferença: e é na fronteira que os perigos são rejeitados, os obstáculos superados e o assimilável é selecionado e apropriado. Bem o que é selecionado e assimilável é sempre o novo; o organismo persiste pela assimilação do novo, pela mudança e crescimento”. (PHG, 1997, Pag.44).

Sendo assim, podemos entender o “pânico” como um acidente ou interrupção num processo de contatar, por exemplo: a jovem citada nesse caso, que para se formar na faculdade, significa fazer sem sua mãe, cuidar da filha significa se dar conta que já é mãe, que tem que exercer o papel que antes era de sua mãe, de protegida, passa a ter que proteger.
Dessa forma, inibe seus desejos, para que possa corresponder a um pedido de sua mãe, passando a evitar momentos e lugares que possam estimular a separação ou crescimento, fechando-se num processo rígido de controle, evitando situações novas, arriscadas, evitando amigos e lugares que possam confrontar com o novo.
Portanto, aqueles “sintomas’ citados no DSM-IV-TR seria sim, o indivíduo se ajustando ou “interrompendo-se”, que é o ajustamento criativo ou processo de contatar, inibindo-se frente a tudo que é novo, ameaçador diferente da sua rigidez e que possam vir motivar a separação da mãe.
Para Müller Granzotto esse processo de interrupção configura os ajustamentos neuróticos. Segundo ele:

“No caso da configuração dos ajustamentos neuróticos, a interrupção diz respeito ao surgimento de um dado (ou estímulo) que representa “perigo” ou “frustração inevitável” para alguns dentre os excitamentos necessários no processo de contato”. (MÜLLER- GRANZOTTO,1997, pag.253.)



Assim, para a gestalt terapia o “pânico” ou a interrupção dos ajustamentos criativos seria uma interrupção no processo de contato (ajustamento neurótico), mas especificamente, essa interrupção tem haver com o surgimento de uma figura ou dado (estímulo), que represente “perigo” ou “ameaça”.

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segunda-feira, 28 de março de 2011

A cara sombria da inibição reprimida: O PÂNICO



Estou publicando parte do artigo de especialização em Psicoterapia na abordagem em Gestalt do meu amado amigo psicólogo Luciano Fogaça.



A sociedade hoje é muito dinâmica, as mudanças são constantes, e conviver com mudanças é algo para o que nem todos estão preparados, segundo o que o campo organismo/ambiente espera, já que durante a construção da biografia, ajustamentos foram necessários e de certa forma impossibilitaram de viver ou de construir fundos que seriam e são fundamentais para o movimento em direção ao novo ou ao enfrentamento de obstáculos ou dificuldades.
Portanto este trabalho tenta trazer um enfoque, um olhar gestáltico a esses ajustamentos, muitas vezes limitadores na vida de muitas pessoas.
plantonista estaria apresentando um quadro de depressão pós-parto, pois já fazia 40 dias que tivera seu filho e que durante esse tempo apresentava diversas crises, demonstrava ansiedade, tinha medo, chegando em determinado momento a querer arremessar o filho no chão (segundo o olhar do médico a mãe queria matar o filho), sem no entanto entender porque estava manifestando esse tipo de sentimento.
Para o médico plantonista a referida paciente apresentava sintomas compatível com diagnóstico de depressão pós-parto e necessitava de acompanhamento psicoterápico e medicamentoso.
Conforme solicitação, fui até o setor de observação do hospital e fiz um atendimento no próprio leito, onde pude constatar que realmente a paciente se encontrava com seu estado emocional bem abalado, a ponto de quase não conseguir falar, em função de que se encontrava muito emotiva, chorando muito.
Naquele momento me coube somente dar um amparo, escutá-la, fazer pontuações mínimas, ficar próximo da paciente e esperar sua reabilitação emocional e me colocar a disposição para num segundo momento, se assim ela desejar, acompanhá-la em trabalho de psicoterapia.
A cliente relatou que sempre teve uma série de problemas, que já se manifestavam muito antes da gravidez, até mesmo antes de se casar. Segundo ela, sempre foi uma pessoa insegura, tinha medo de realizar diversos tipos de atividades ou de fazer escolhas sem que a mãe participasse, sofria de intensa apreensão, temor, convivia com sintomas tais como falta de ar, palpitações, dor ou desconfortos toráxicos, sensação de sufocamento e medo de enlouquecer ou de perder o controle.


....Continuação amanhã!!!!!!